O Vitória de Gumarães empatou este domingo com o Paços de Ferreira (2-2), no Estádio D. Afonso Henriques, na 27ª jornada da I Liga, resultado que deixa os pacenses uma passo mais perto da Liga dos Campeões.
As bancadas do estádio D. Afonso Henriques estavam despidas devido ao castigo imposto pelo Conselho de Disciplina da FPF ao V. Guimarães, na sequência dos incidentes ocorridos no encontro entre V. Guimarães B e Sp. Braga B, para a II Liga.
Ambas as equipas partiram para o jogo com vontade de levar os três pontos. Os vimaranenses, depois da goleada sofrida em casa com o Benfica, a 17 de Março (0-4), conseguiram duas vitórias por 2-1 (Beira-Mar e em Olhão) e uma derrota, na Madeira (com o Nacional, também 2-1).
Já o Paços de Ferreira tem o sonho da Champions cada vez mais nítido, sobretudo depois da derrota do Sporting de Braga no Estoril. O triunfo sobre o Rio Ave (2-1) foi providencial para o reforço dessa candidatura.
Depois de uma primeira parte lenta, o jogo decidiu-se na segunda parte. Quatro minutos depois do intervalo (49’), Tiago Rodrigues abriu o marcador para o Vitória de Guimarães. O médio rematou de forma potente e colocada, a 30 metros, sem hipóteses para Cássio.
Na resposta, os pacences conseguiram o empate por Luiz Carlos, aos 57 minutos. O médio brasileiro, que já tem contrato com o Sporting de Braga para a próxima época, rematou, a bola tocou num jogador do Vitória e traiu Douglas.
O Vitória de Guimarães conseguiu chegar ao 2-1, aos 76 minutos, por Baldé. Num cruzamento de Marco Matias, avançado apareceu na área, a cabecear para o golo.
Porém, o Paços de Ferreira não desistiu e, aos 88 minutos, chegou mesmo ao empate por Caetano, depois de aproveitar a distracção de um defesa vimaranense. Com este resultado, o Vitória de Guimarães passa a ocupar o sexto lugar, com menos um ponto que o Estoril, quinto classificado. Já o Paços de Ferreira está mais perto da Champions e cada vez mais isolado no terceiro lugar, com mais quatro pontos que o adversário directo, o Sporting de Braga.
Um triunfo por 2-1 no terreno do Atlético de Madrid serviu para o Real consolidar o segundo lugar do campeonato espanhol e recuperar dois pontos para o líder Barcelona, que empatou no terreno do Athletic de Bilbau (2-2). Sem muitos dos habituais titulares, nomeadamente Cristiano Ronaldo, os "merengues" não precisaram de uma grande exibição para ultrapassar o adversário.
Um golo do ex-portista Falcao, logo aos 4', deu vantagem à equipa da casa, mas não foi suficiente para bater o Real Madrid. O português Pepe começou a desenhar a reviravolta, empatando o encontro aos 13', contando ainda com a ajuda de Juanfran, que seria o último a tocar na bola.
Já no segundo tempo, o ex-benfiquista Di Maria estabeleceria o resultado final, aos 62', com um remate não muito forte, mas colocado.
Um triunfo no terreno de um concorrente directo pelo segundo lugar da prova (que está agora a seis pontos de distância), que poderá dar alento à equipa madridista para a complicada missão de inverter uma goleada por 4-1, na próxima terça-feira, na segunda mão das meias-finais da Liga dos Campeões, frente ao Borussia Dortmund.
O FC Porto fez o que lhe competia e não cedeu pontos na recepção ao Vitória de Setúbal (2-0), colocando-se a um ponto do líder Benfica, que só amanhã jogará com o Marítimo no Funchal. Lucho e Defour mantiveram a sua equipa na corrida pelo título, já depois de James Rodríguez desperdiçar uma grande penalidade, o quinto castigo máximo errado pelo FC Porto no campeonato. Perante um adversário fechado, os portistas conseguiram o triunfo imprescindível na última meia hora do jogo.
No penúltimo jogo no Estádio do Dragão esta temporada - o último será contra o Benfica, na 29.ª jornada -, Vítor Pereira apostou no mesmo "onze" que venceu em Moreira de Cónegos na ronda anterior, embora ainda antes do intervalo, descontente com o rendimento de Atsu, tenha decidido colocar Varela no lugar do ganês. José Mota, treinador do Vitória de Setúbal, preferiu não usar ninguém na posição de ponta-de-lança, apostando num meio-campo central com quatro homens e em dois extremos, Pedro Santos e Miguel Pedro., que também ajudavam a defender os seus corredores. Com este desenho, o domínio pertenceu naturalmente ao FC Porto, mas a qualidade defensiva dos visitantes colocou problemas ao favorito.
A primeira oportunidade dos homens da casa só surgiu após uma saída precipitada de Kieszek, aos 17', mas Atsu não fez melhor do que atirar por cima quando o guarda-redes polaco ainda tentava recuperar a sua posição. Jackson Martínez, mais assistente do que finalizador, ofereceu pouco depois o golo a James Rodríguez, mas o esquerdino nessa altura ainda alternava momentos maus e bons. O ponta-de-lança colombiano fez perto do intervalo mais uma assistência para um colega, mas Atsu, nos instantes anteriores a ser substituído, voltou a falhar a baliza.
Aos 24', os sadinos tiveram a sua grande oportunidade: Kieszek pontapeou para a frente, Pedro Santos ganhou o duelo a Otamendi e foi por pouco que não inaugurou o marcador, de pé esquerdo. O jogo voltou à outra baliza, mas faltou sempre algo aos "dragões": o último passe, a pontaria ou melhores decisões.
O período decisivo do encontro começou por volta dos 60 minutos. Otamendi, num canto, obrigou o antigo guardião sadino a uma boa intervenção, mas o polaco ainda brilhou mais no lance seguinte, ao defender um penálti de James, depois de o árbitro Carlos Xistra ter considerado braço na bola de Jorge Luiz. O FC Porto já tinha perdido quatro pontos - a diferença para o Benfica no começo da jornada - devido a erros nas grandes penalidades, mas James redimiu-se a seguir com a assistência para o golo de Lucho (64').
Aos 73', foi a vez de o Setúbal reclamar um braço de Danilo na área, antes de o FC Porto fechar o resultado nos últimos minutos, com o segundo golo de Steven Defour na prova. O passe decisivo foi do então lateral-esquerdo Mangala.
Robert Lewandowski foi tudo menos discreto na sua primeira participação num jogo das meias-finais da Liga dos Campeões de futebol. O ponta-de-lança polaco deixou o Borussia de Dortmund às portas da final — e a Alemanha muito perto de um jogo do título 100% nacional —, ao marcar os quatro golos da vitória caseira da sua equipa sobre o Real Madrid (4-1).
O duelo desta quarta-feira no Estádio Signal Iduna Park, em Dortmund, será para sempre recordado como o jogo de Lewandowski, que viveu uma noite histórica que aproximou a equipa orientada por Jürgen Klopp da sua segunda final da Liga dos Campeões, depois do triunfo em 1996-97 (com a contribuição de Paulo Sousa).
“Definitivamente ganhou a melhor equipa”, admitiu José Mourinho. “Perdemos Lewandowski de vista em três golos”. O avançado de 24 anos tornou-se o primeiro na história da principal prova europeia de clubes a anotar quatro golos numa meia-final e também nenhum outro jogador tinha obtido um póquer contra o Real nas competições europeias.
A formação espanhola, por seu lado, só se pode agarrar ao golo marcado por Cristiano Ronaldo, que a deixa numa posição ligeiramente melhor do que o rival Barcelona, que na véspera também sofreu quatro golos perante o Bayern Munique, mas não obteve nenhum. José Mourinho, que além de Ronaldo apostou também em Fábio Coentrão e Pepe de início, pode sempre referir aos seus jogadores os três casos em que o Real recuperou uma desvantagem de três ou mais golos nas provas da UEFA.
Mas o resultado traduz fielmente a diferença de qualidade e andamento que os dois clubes mostraram nesta primeira mão. Lewandowski, que na próxima época deve seguir Mario Götze para Munique, marcou todos os golos do Dortmund, mas não jogou sozinho. O polaco foi um quebra-cabeças para Pepe, que foi batido em dois golos e ainda o colocou em jogo em outro, mas também Marco Reus, Götze, Kuba e Ilkay Gündogan foram problemas de difícil resolução para o Real Madrid. O facto de o guarda-redes Diego López ter sido um dos melhores da sua equipa foi outro sinal de desequilíbrio.
O Dortmund, que é como quem diz Lewandowski, marcou cedo. Reus foi o primeiro a testar López e aos 8’ já os adeptos da casa festejavam. Götze cruzou da esquerda e o homem da noite inaugurou o marcador. Ronaldo tentou empatar de livre, mas foi de bola corrida que o conseguiu. Para marcar, o Real Madrid precisou de um erro grave do normalmente fiável Mats Hummels, que deixou a bola à mercê de Higuaín para este fazer a assistência para o golo fácil do internacional português. Ronaldo chegou aos 12 golos esta época na Liga dos Campeões e marcou pelo sexto jogo seguido na prova, igualando os feitos do turco Burak Yilmaz e do franco-marroquino Marouane Chamakh.
Mas o registo famoso do encontro pertenceu ao n.º 9 dos visitados. O seu segundo golo chegou aos 50’, depois de uma bola metida na área por Reus, e o terceiro aos 55’ num lance semelhante (o remate desta vez é de Marcel Schmelzer) concluído com grande classe. Este último foi o melhor golo do jogo, mas Lewandowski ainda não tinha terminado o seu trabalho, marcando o seu 10.º golo em 11 jogos na prova: desta vez na transformação de um penálti por empurrão de Xabi Alonso a Reus (67’). Pelo meio houve uma grande jogada individual do médio Gündogan, travada por uma grande defesa do guarda-redes visitante, que também teve de se esforçar aos 78’ para evitar o quinto do ponta-de-lança adversário.
O Real foi dominado, mas teve oportunidade nos momentos finais de reduzir a goleada: Roman Weidenfeller saiu rápido aos pés de Ronaldo e o central Varane errou o alvo num canto. Depois da Taça UEFA de 1979-80 entre Eintracht Frankfurt e Borussia Mönchengladbach, a Alemanha está perto de voltar a ter dois clubes numa final europeia.
O Manchester City reforçou este sábado o segundo lugar da Primeira Liga inglesa, atrás do já campeão Manchester United, ao bater em casa o West Ham por 2-1, na abertura da 35.ª jornada.
O argentino Sergio Aguero, aos 28 minutos, após jogada entre Nasri e David Silva, e o marfinense Yaya Touré, aos 83, com um espectacular remate de pé esquerdo de fora da área, apontaram os tentos do “onze” do italiano Roberto Mancini.
Por seu lado, Andy Carroll marcou, aos 90+4 minutos, o tento dos forasteiros, que contaram com o português Ricardo Vaz Tê no "onze" (foi substituído aos 66 minutos).
Os “citizens”, que já perderam o título conquistado na época passada, somam agora 71 pontos (34 jogos), contra 63 do Arsenal (34), terceiro, 62 do Chelsea (33), quarto, e 61 do Tottenham (33), de André Villas-Boas, que segue em quinto.
Ainda este sábado, o Tottenham joga no reduto do Wigan, 18.º e antepenúltimo, enquanto o Arsenal recebe o Manchester United neste domingo, dia em que o Chelsea é anfitrião do Swansea, já vencedor da Taça da Liga inglesa.
A partida foi totalmente condicionada pelo vendaval que fustigou o António Coimbra da Mota. Na primeira parte, o Sp. Braga foi melhor e chegou à vantagem aos 18’: Mossoró tentou centrar e a bola foi desviada pelo vento, favorável aos minhotos, traindo Vagner.
Com o domínio da partida, os “arsenalistas” continuaram a ser mais perigosos e, num par de ocasiões, a equipa treinada por José Peseiro podia ter ampliado a vantagem antes do intervalo.
Na segunda parte, o jogo mudou por completo. Ajudado pelo vento, o Estoril empurrou o Sp. Braga para a sua área, os lances de perigo junto da baliza de Quim começaram a surgiu com regularidade e, aos 54’, aconteceu o empate: Jefferson, uma das revelações do campeonato, centrou na esquerda, e Douglão, ao tentar cortar a bola, acabou por fazer golo na própria baliza.
A igualdade não fez o estorilistas baixarem o ritmo. Com o Sp. Braga a mostrar-se incapaz de contornar as dificuldades colocadas pelo vento, o Estoril manteve a pressão e, aos 65’, Carlos Eduardo surgiu isolado, mas Quim evitou o golo.
No entanto, três minutos depois, a equipa de Marco Silva chegou mesmo à vantagem. Após quatro cantos consecutivos, Evandro rematou de fora da área e o defesa central Steven Vitória, na zona da marca de grande penalidade, desviou para o fundo da baliza. Foi o nono golo do capitão do Estoril, que tem sido apontado como possível reforço do Benfica, no campeonato.
A perder, José Peseiro arriscou um pouco, trocando Ruben Amorim por Hélder Barbosa, e, aos 79’, surgiu o lance polémico do jogo: Douglão e Custódio caíram na área mas Bruno Paixão, apesar dos protestos dos jogadores bracarenses, nada assinalou.
Antes do final da partida, os minhotos ainda ficaram reduzidos a 10 jogadores, após Elderson ver o cartão vermelho directo.
Com este resultado, o Estoril sobe ao quinto lugar e garante, durante mais uma jornada, a permanência nos lugares “europeus”. Para o Sp. Braga o cenário complica-se bastante: se o Paços de Ferreira vencer, no próximo domingo, em Guimarães, os “arsenalistas” ficam praticamente afastados da pré-eliminatória da Liga dos Campeões.
Podia ter sido um resultado dramático para as aspirações do Benfica à presença na final da Liga Europa, mas os deuses do futebol entenderam poupar os “encarnados”. A equipa de Jorge Jesus perdeu (1-0) no terreno do Fenerbahçe, na primeira mão da meia-final, mas não se pode queixar da sorte. Por três vezes os ferros da baliza substituíram Artur a travar oportunidades de golo para os anfitriões — incluindo uma grande penalidade. Mas Korkmaz, na segunda parte, fez o golo da vitória do Fenerbahçe. Já na próxima quinta-feira, no Estádio da Luz, joga-se a segunda parte da eliminatória. O Benfica está em desvantagem e terá de fazer muito mais do que mostrou em Istambul.
Havia electricidade no ar, antes da partida. Da noite para o dia, as ruas e os ferries que ligam os dois lados (europeu e asiático) de Istambul foram invadidos pelas camisolas amarelas e azuis do Fenerbahçe. Em cada janela, carro, moto, uma bandeira. Havia quem fizesse a festa nas esplanadas junto ao estádio; outros posavam para a foto com o Estádio Sukru Saracoglu em fundo, de forma a guardar, para a posteridade, o dia em que o recinto foi palco de uma meia-final europeia.
O ambiente que se faria sentir no estádio foi assunto na antevisão da partida. E com razão: a instalação sonora, que duas horas antes do jogo debitava músicas do Fenerbahçe em alto volume, foi desligada quando as equipas subiram ao relvado para o aquecimento. Para os adeptos se fazerem ouvir. Alguns jogadores da casa (Webe, Kuyt, Meireles, Demirel, por exemplo) foram chamados individualmente pelas bancadas, enquanto a equipa de arbitragem e a do Benfica foram atingidos por uma autêntica parede sonora de assobios.
Jorge Jesus acabou mesmo por fazer uma escolha de contenção, tal como tinha deixado em aberto. André Gomes juntou-se a Matic no meio-campo, embora a maior surpresa tenha sido a titularidade de Aimar. O treinador optou pela experiência do argentino (cumpriu o 80.º jogo nas provas europeias) em detrimento de Gaitán, Carlos Martins ou até Rodrigo. Foi apenas a quarta ocasião, na presente temporada, em que Aimar jogou de início — já não acontecia há quase três meses, desde a primeira mão da meia-final da Taça de Portugal contra o Paços de Ferreira.
A primeira parte teve sentido quase único: a baliza do Benfica. E, já no período de compensação, os ferros da baliza de Artur evitaram que os “encarnados” chegassem ao intervalo em desvantagem. Numa grande penalidade a castigar falta de Ola John sobre Gönül, Cristian fez o mais difícil — acertou no poste. Logo a seguir o árbitro Milorad Mazic apitou para o intervalo, e o futebolista brasileiro saiu para o balneário em lágrimas.
Não era para menos: a ocasião é histórica para o Fenerbahçe, que pela primeira vez em mais de 100 anos de história disputa uma meia-final europeia. De resto, a equipa orientada por Aykut Kocaman até já tinha acertado nos ferros antes. Kuyt fez o centro na direita e Moussa Sow, de cabeça, viu a bola ser devolvida pela trave (18’). No minuto anterior o avançado senegalês já tinha tido uma grande oportunidade, mas atirou ao lado.
Já os ataques “encarnados” foram praticamente estéreis durante o primeiro tempo. Logo aos cinco minutos, Salvio, lançado por Cardozo, surgiu pela direita na cara de Demirel, mas viu o guarda-redes internacional turco resolver a situação. Aimar fez um remate ao lado (12’) e Cardozo nem isso, quando se perdeu em fintas e ficou sem a bola (42’).
A desilusão com o penálti desperdiçado fez com que o Fenerbahçe começasse o segundo tempo a acelerar a fundo. Logo a abrir a segunda parte, Artur desviou os remates potentes de Cristian e Raul Meireles. E depois foram, pela terceira vez, os ferros da baliza: Kuyt recebeu na área, rodou e disparou fora do alcance de Artur, mas a bola foi devolvida pelo poste.
Jorge Jesus tinha trocado Aimar por Gaitán ao intervalo e, com a equipa mais subida no terreno, o Benfica conseguia encurtar os espaços ao Fenerbahçe. Mas os “encarnados” continuaram a mostrar pouco no ataque. Cardozo, de longe, atirou para defesa fácil de Demirel (53’). E o remate do recém-entrado Gaitán, no minuto seguinte, roçou o poste da baliza dos turcos antes de sair.
Estava escrito, como se viu, que os postes seriam intervenientes da partida. E seria assim também no lance do golo que deu vantagem ao Fenerbahçe. Na sequência de um canto, Kuyt tocou de cabeça e Korkmaz emendou. A bola tocou no poste e Jardel tentou o corte, mas já tinha sido ultrapassada a linha de golo.
Na segunda mão da meia-final, em Lisboa, o Benfica começa em desvantagem. Em 1975, na primeira ronda da Taça dos Campeões Europeus, os “encarnados” também perderam 1-0 em solo turco. Mas antes tinham ganho 7-0 em Lisboa. Será possível que a história se repita?
Num derby joga-se por pontos e por rivalidade. E nada era mais verdadeiro no Benfica-Sporting de ontem, na Luz, a contar para a jornada 26 da Liga portuguesa. Os pontos teriam importância diferente para os dois lados. Os “encarnados” procuravam segurar a sua vantagem no primeiro lugar, os “leões” queriam colar-se aos lugares europeus. Acabou por ser mais feliz o Benfica, que fez valer a sua experiência e triunfou por 2-0, repondo a sua vantagem para quatro pontos em relação ao FC Porto na luta pelo título. O Sporting deu boa réplica, mas foi traído pela sua própria juventude. A diferença entre ambas as equipas já era gigante e, depois de ontem, ficou ainda mais marcada: 37 pontos.
O favoritismo antecipado não ganha jogos. Nem o optimismo desmiolado. Jorge Jesus e Jesualdo Ferreira, treinadores experientes, cumpriram os seus papéis. Ambos sabiam quem era o candidato maior à vitória, mas só um o vocalizou, Jesualdo, a transferir a pressão para o lado benfiquista. Jesus sacudiu a responsabilidade, mas assumiu confiança. E o técnico “encarnado” tinha razões para isso. O Benfica é uma equipa consolidada, experiente e constante. O Sporting é uma equipa em formação e jovem, com tudo o que de bom e mau isso significa. Irreverente, sim, mas muito inexperiente.
Nenhum dos treinadores fugiu ao seu plano de ataque habitual. Jesus manteve os dois pontas-de-lança e lançou Gaitán, apesar das limitações físicas do argentino. Jesualdo foi apenas forçado a uma alteração, Miguel Lopes no lugar do lesionado Cedric, mantendo Dier a fazer dupla com Rinaudo em zonas mais recuadas do meio-campo e, muitas vezes, com as funções de terceiro central. No papel, o Benfica seria mais ofensivo, o Sporting seria mais de contenção.
O Sporting começou por mostrar a parte boa da sua juventude, a irreverência. Boa colocação no terreno gerava poder de antecipação e isso dava espaço para atacar. Logo aos seis minutos, uma bola ganha no meio-campo permite um contra-ataque perigoso em que Ricky van Wolfswinkel ultrapassa Garay em velocidade, mas o holandês demora muito a armar o remate e acaba por ser desarmado quando já tinha chegado à pequena área.
Era pelo seu flanco direito que o Sporting criava mais perigo. No seu primeiro derby, Bruma, um jovem que começou a época na equipa B, entrou sem medo e fez o que quis de Melgarejo, sempre bem apoiado por Miguel Lopes. Mas com toda a sua técnica e velocidade, Bruma ainda é um miúdo de 18 anos e foi por isso que, aos 20’, quando tinha dois colegas mais bem posicionados numa jogada de contra-ataque em que o Sporting conseguiu superioridade numérica, fez várias fintas e acabou desarmado.
Os “encarnados” pareciam surpreendidos pela entrada do Sporting, sem conseguirem mostrar o seu habitual domínio ofensivo. Mas o Benfica é uma equipa madura, que faz bem a gestão do tempo e do esforço. E quando desenhou uma jogada ao seu melhor estilo, a bola entrou. Minuto 36’, os defesas “leoninos” param por alguns momentos, Gaitán avança pelo seu flanco, faz o cruzamento, Salvio aparece na pequena área e remata sem quaisquer hipóteses para Rui Patrício.
A experiência falou nitidamente mais alto. Depois do golo, o jovem Sporting desorientou-se e o experiente Benfica assentou, mas o jogo manteve-se eléctrico e vibrante, como um derby deve ser. O intervalo fez bem ao Sporting, que reentrou no jogo com a mesma dinâmica dos primeiros minutos, enquanto o Benfica continuou numa postura de contenção tranquila. Os “leões” tentavam, mas o caminho da baliza já era mais distante e acidentado. Aos 64’, Jesualdo mexe na equipa pela primeira vez, com duas substituições, uma delas por lesão, a de Dier pelo regressado Schaars. A outra era para tentar alguma coisa no ataque, Viola no lugar do desinspirado Capel.
Jesus também se mostrou cauteloso, abdicando de um dos seus pontas-de-lança, Cardozo, para reforçar o meio-campo com Ola John. Foi a decisão certa no momento certo. O Benfica recuperou algum do domínio e, poucos minutos depois, aos 75’, resolveu o jogo com mais uma acção que demonstra um colectivo pleno de confiança nas suas capacidades. A bola passa por Gaitán, Salvio e acaba em Lima, que faz o 2-0 num espectacular remate à meia volta, um golo que terá sido, seguramente, dos mais festejados na Luz esta época.
O Benfica ficava no seu terreno ideal, o de gerir uma vantagem relativamente confortável e só tinha agora de esperar pelas investidas cada vez mais desconexas e menos perigosas dos jovens “leões”, que mostravam muita vontade, mas cada vez menos critério e mais vontade de discutir com o árbitro. Os minutos esgotaram-se, João Capela apitou pela última vez, e o Benfica festejou mais uma prova superada, com um sabor especial, é certo, por ser contra o “velho” rival, mas os três pontos eram mesmo o prémio mais apetecido. Para os “encarnados, um empate era o mesmo que uma derrota. Para o título ainda faltam mais quatro finais, uma delas no Dragão.
O Barcelona sentiu muitas dificuldades para vencer, neste sábado, em Camp Nou, o Levante. Sem Messi, os catalães tiveram sempre o domínio da partida, mas apenas quebraram a resistência da equipa de Valência aos 84 minutos.
O único golo do encontro, foi apontado por Cesc Fàbregas, que formou o trio de ataque do Barcelona com David Villa (falhou uma grande penalidade aos 17') e Cristian Tello.
Com esta vitória, os catalães mantêm os 13 pontos de vantagem sobre o Real Madrid e estão mais perto de festejar a conquista do título espanhol.
Ainda faltam quatro jornadas para o fim do campeonato, mas se ele terminasse agora o Paços de Ferreira já tinha motivos para festejar. E não é por ocupar um inédito terceiro lugar, que lhe dá acesso ao play-off da Champions. É que, após derrotarem o Rio Ave, ontem, por 2-1, os pacenses, com ainda quatro partidas para disputar, bateram o recorde de pontos no campeonato e garantiram um histórico quarto lugar na I Liga.
A equipa de Paulo Fonseca até esteve a perder, mas foi capaz de dar a volta ao resultado e garantir a vitória que a mantém no pódio da I Liga.
Frente aos vilacondenses, o Paços teve mais posse de bola e pertenceram-lhe as duas oportunidades de golo da primeira parte, aos 4 e 31 minutos, em remates de Josué travados por Oblak. Mas só na segundo tempo o resultado inicial se alteraria. Tarantini colocou a formação de Vila do Conde em vantagem, aos 58 minutos, mas os locais, em apenas quatro minutos, aos 76 e 80 minutos, com golos de Hurtado e André Leão, viraram o marcador a seu favor. Uma “injecção” de moral que serviu para o Paços de Ferreira segurar o resultado.
Já o Rio Ave atrasou-se na luta por um lugar europeu, continuando com os mesmos 33 pontos, mas correndo o risco de ser ultrapassado por vários dos clubes que ainda têm essa ambição.

| P | Equipa | J | P |
|---|---|---|---|
| 1 |
Real Madrid |
37 | 97 |
| 2 |
Barcelona |
36 | 85 |
| 3 |
Valencia |
36 | 58 |
| 4 |
Málaga |
36 | 55 |
| 5 |
Levante |
37 | 55 |
| 6 |
At. Madrid |
36 | 54 |
Getafe |
0 - 2 |
Saragoça |
Rayo Vallecano |
1 - 0 |
Granada |
Espanyol |
1 - 1 |
Sevilha |
Real Madrid |
4 - 1 |
Maiorca |
Real Sociedad |
1 - 0 |
Valencia |
Villarreal |
0 - 1 |
At. Madrid |
Racing Santander |
2 - 4 |
Osasuna |
Levante |
3 - 0 |
Athletic |
Málaga |
1 - 0 |
Sp. Gijón |
Betis |
2 - 2 |
Barcelona |